{"id":1381,"date":"2014-10-22T13:30:00","date_gmt":"2014-10-22T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/saloanoticias.mrmediaweb.com\/v1\/2014\/10\/22\/matheus-rocha-faz-critica-da-peca-dirigida-por-pacheco-neto\/"},"modified":"2014-10-22T13:30:00","modified_gmt":"2014-10-22T13:30:00","slug":"matheus-rocha-faz-critica-da-peca-dirigida-por-pacheco-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.saloanoticias.com\/v1\/matheus-rocha-faz-critica-da-peca-dirigida-por-pacheco-neto\/","title":{"rendered":"MATHEUS ROCHA AVALIA A PE\u00c7A DAMA DA NOITE DIRIGIDA POR PACHECO NETO"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\"><a href=\"http:\/\/www.saloanoticias.com\/images\/damagus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"DAMAGUS\" style=\"border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; background-image: none; border-bottom-width: 0px; float: none; padding-top: 0px; padding-left: 0px; margin: 0px auto 10px; display: block; padding-right: 0px; border-top-width: 0px\" border=\"0\" alt=\"DAMAGUS\" src=\"http:\/\/www.saloanoticias.com\/v1\/wp-content\/uploads\/imagens\/damagus_thumb.jpg\" width=\"548\" height=\"365\"><\/a>MATHEUS ROCHA faz cr\u00edtica para Dama da Noite na mostra de teatro e dan\u00e7a do SESC Garanhuns&nbsp; &#8211;&nbsp; Da excentricidade da vida ou a Dama da Noite sou eu<\/font><font size=\"3\" face=\"Arial\">. <\/font><font size=\"3\" face=\"Arial\">A correria nos p\u00f5e em movimento. Factual ou fict\u00edcio, a gente nunca sabe. Mas as coisas rodam sozinhas em seu eixo ou louqu\u00edssimas nos lugares mais inesperados. No meio do barulho silencioso de Garanhuns, com um tem\u00edvel sentimento de esquecimento urgente &#8211; o mesmo que s\u00f3 d\u00e1 tr\u00e9gua durante o Festival de Inverno &#8211; e um deserto humano quase incompatibilizado, a roda parece ganhar cada vez mais for\u00e7a.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">Os acordos impl\u00edcitos permanecem impl\u00edcitos, os expl\u00edcitos vez ou outra se escondem. E a roda continua. A roda \u00e9 o centro. Fora da roda, fora da \u00e9poca de se estar &#8216;fora da roda&#8217;, uns poucos. Pouqu\u00edssimos, que se arriscam voluntariamente \u00e0 sair de casa para acompanhar algum acontecimento. E quando, fora da roda, aparece um espet\u00e1culo como &#8216;Dama da noite&#8217;, o que pode acontecer? Claro: quem est\u00e1 dentro da roda quer engoli-lo para dentro. Era noite de casa cheia.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">\u00d4nibus escolares vomitando estudantes aos montes &#8211; minha primeira pergunta era se todo aquele pessoal queria estar ali, ou veio obrigado. A roda se movimentando, e eles no movimento da roda, sem nem saber que est\u00e3o na roda. E muita gente que soube do espet\u00e1culo na divulga\u00e7\u00e3o em rede social, ou boca a boca. Teatro lotado. Era hora de ela subir no palco. E quando a dama sobe, s\u00f3 tem ela. N\u00e3o pelo mon\u00f3logo, mas pela aten\u00e7\u00e3o. Pela excentricidade da dama. Ex-centricidade. Sim, j\u00e1 fora da roda.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">Pra quem n\u00e3o conhecia o texto do Caio Fernando Abreu, ou quem conhecia s\u00f3 pelos recortes de autoajuda que mutilam sua literatura em tempos de facebook, n\u00e3o tinha melhor apresenta\u00e7\u00e3o. E o Caio parecia estar ali, do meu lado, na primeira fila. Maravilhado. A sensibilidade da dire\u00e7\u00e3o de Pacheco Neto saltava aos olhos. S\u00f3 quem conhece verdadeiramente o texto, quem vive e revive o conto do Caio poderia transp\u00f4-lo para os palcos com tanta sensibilidade e amor.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">Pacheco entrega ao p\u00fablico mais do que a transposi\u00e7\u00e3o de duas linguagens distintas: entrega uma obra de arte, naquilo que ela tem de cria\u00e7\u00e3o &#8211; desestabiliza o boy que ouve a plateia, corr\u00f3i aos poucos o centro subjetivo no qual estamos inseridos. O texto do Caio aliado \u00e0 sensibilidade de Pacheco denuncia a precariedade da nossa experi\u00eancia de vida. A dama da noite encarnada por Marcelo Francisco nunca fora t\u00e3o humana, t\u00e3o palp\u00e1vel, t\u00e3o pr\u00f3xima.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">As express\u00f5es, jeitos, viradas, vozes de Marcelo pareciam ser de algu\u00e9m que estava ali em carne viva. Como se sentisse tudo aquilo pela primeira vez. A dama debochada, decadente, ir\u00f4nica, devastadora. O \u00edcone do Caio Fernando, lux\u00faria e altivez doloridas a cada palavra, tem em Marcelo uma exist\u00eancia pesada, desterritorializante &#8211; como a experi\u00eancia da leitura. A dire\u00e7\u00e3o musical, pensada por Alexandre Revoredo, foi um verdadeiro show \u00e0 parte. As m\u00fasicas, para al\u00e9m da pr\u00f3pria dama, traziam todo o exagero do Caio Fernando para os palcos.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">Ele ficaria encantad\u00edssimo vendo suas musas inseridas num texto seu &#8211; ele mesmo fazia isso. As m\u00fasicas iam deslizando pelo corpo da dama. &#8216;Fracasso&#8217; de Dalva, saudosa Dalva, na voz da dama, rasgou o tecido do sentimento. Aquele tecido garanhuense que nos faz frios, quentes s\u00f3 por dentro, intoc\u00e1veis. Era inevit\u00e1vel n\u00e3o ser tocado pelas m\u00fasicas, pelo espet\u00e1culo. A &#8216;dama da noite&#8217; se fundiu com cada pessoa. Vai ser acompanhada todo dia, no meio da correria, at\u00e9 por quem vive a roda.<\/font>  <\/p>\n<p align=\"justify\"><font size=\"3\" face=\"Arial\">Vai ficar aquela sensa\u00e7\u00e3o, aquela lembran\u00e7a da &#8216;coroa porra-louca&#8217; que falou sobre vida, morte, sexo, drogas e tanta coisa mais, em algum momento da vida. Vai se desvanecer a imagem, um dia talvez. Mas nunca o afeto.<\/font><\/p>\n<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MATHEUS ROCHA faz cr\u00edtica para Dama da Noite na mostra de teatro e dan\u00e7a do SESC Garanhuns&nbsp; &#8211;&nbsp; Da excentricidade da vida ou a Dama da Noite sou eu. A correria nos p\u00f5e em movimento. Factual ou fict\u00edcio, a gente nunca sabe. 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